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Destaques
7/26/2014

Autoconsumo: o bom, o mau e o vilão


O bom. A legislação de autoconsumo é positiva para as empresas do setor. Ainda bem que surge e que o solar fotovoltaico começa a ser encarado como uma ferramenta de eficiência energética. Temos de começar a abandonar o conceito de manter o fotovoltaico dentro do bolo das energias renováveis e da síndrome das rendas excessivas. O fotovoltaico, ao contrário da energia hídrica ou da eólica, apresenta a possibilidade de uma realidade descentralizada e de menor dimensão. Num país como Portugal – que tem uma exposição ao sol incomparavelmente maior que quase todos os outros da União Europeia, a possibilidade de descentralização e de cada consumidor poder optar entre comprar eletricidade à rede ou produzir ele próprio vai levar-nos a um novo paradigma no que se refere ao setor da energia. Este novo enquadramento legal irá ser muito benéfico para todos aqueles que tiverem perfis de consumo muito regulares ao longo do dia, da semana, fins de semana e meses de férias.

O mau. Quem tiver consumos irregulares de energia elétrica vai ser penalizado com esta nova legislação, pois a base desta legislação é o autoconsumo instantâneo. Isto é, quando se produz eletricidade tem de haver consumo, pois, caso contrário, a energia é vendida à rede a um preço muito baixo. Quem não vai ficar satisfeito com esta legislação vai ser, por exemplo, o setor agrícola. Com relevância muito preponderante na economia portuguesa, principalmente em termos de exportação e criação de emprego, a eletricidade é uma das principais matérias-primas do setor agrícola. Este modelo de autoconsumo vai excluir quase completamente este setor, principalmente o que tem uma forte componente de rega. Da experiência da Ikaros-Hemera com empresas desta área, sabemos que os pontos de consumo relacionados com os pivots de rega têm sido aproveitados para ligar sistemas fotovoltaicos – estes muitas vezes regam à noite, ou funcionam durante quatro meses do ano. Tendo em conta esta irregularidade de consumo, a viabilidade económica de um sistema de autoconsumo em explorações agrícolas será difícil de obter. Com um empresário agricultor tão propenso à introdução de novas tecnologias e técnicas inovadoras, é pena que o modelo de produção própria de energia não seja o mais indicado para esta área.

E o vilão (em tom de desafio). As regras do autoconsumo vão obrigar as empresas do setor a requalificarem-se. Vai passar a haver uma nova dimensão: a do consumo. E o facto de a nova legislação penalizar a energia produzida em excesso vai obrigar a que haja um trabalho muito mais cuidado de dimensionamento dos sistemas solares fotovoltaicos. Cada cliente/consumidor tem um perfil de consumo específico, e as empresas do setor vão passar a ter de saber aconselhar o cliente e calcular adequadamente a potência a instalar em cada situação. Muda o paradigma: estas empresas devem passar a focar-se mais no consumo do cliente e não no objetivo de quanto mais potência mais benefícios. O risco de começarmos a ter situações mal dimensionadas e clientes desagradados é muito elevado. E isto sim, é o pior que pode existir numa nova legislação e num paradigma novo.

É um desafio que todas as empresas do setor devem ter em mente.
 


OJE


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